Motorista assustado dentro de um carro com o vidro lateral trincado durante congestionamento noturno.

Uma pedra no vidro pode custar muito mais que um celular

Marcelo é um personagem fictício, usado para ilustrar uma situação enfrentada por motoristas.

Marcelo estava parado no congestionamento quando ouviu o primeiro impacto.

Não parecia uma colisão. Foi um barulho seco, muito próximo do ouvido.

Antes que conseguisse entender o que havia acontecido, veio a segunda pancada. O vidro lateral trincou, uma mão atravessou a abertura e tentou arrancar o celular que estava preso ao suporte do painel.

Tudo aconteceu em poucos segundos.

Marcelo conseguiu sair do local sem ferimentos, mas perdeu o aparelho, precisou substituir o vidro e ainda passou os dias seguintes tentando proteger suas contas bancárias.

O objeto levado não era o único prejuízo.

Dentro daquele celular estavam seus aplicativos financeiros, e-mails, documentos, fotografias, conversas pessoais e acessos profissionais.

Uma pedra no vidro poderia ter custado muito mais do que o preço de um telefone.

A “gangue da pedrada” aproveita o motorista encurralado

Os ataques ganharam repercussão recente em São Paulo depois que motoristas começaram a improvisar telas nas janelas dos veículos.

A ação costuma ocorrer em congestionamentos e pontos nos quais o motorista possui pouca possibilidade de movimentação. O criminoso se aproxima entre os carros, quebra ou tenta romper o vidro e retira rapidamente celulares, bolsas e outros objetos.

Uma reportagem publicada pelo UOL em 26 de setembro de 2026 mostrou motoristas recorrendo a telas para tentar dificultar esses ataques.

O método aproveita o veículo parado, objetos de valor visíveis e a distração do motorista. Quando o condutor percebe o ataque, geralmente já está cercado por outros automóveis e sem espaço para sair.

Uma película antivandalismo impede o roubo?

Não existe película que transforme um vidro comum em uma barreira invencível.

A película de segurança pode manter os fragmentos unidos e aumentar o tempo necessário para romper completamente o vidro. Essa demora pode dificultar a ação e levar o criminoso a desistir.

Mas o resultado depende de diversos fatores:

  • espessura e qualidade do produto;
  • tipo e estado do vidro;
  • instalação correta;
  • intensidade e repetição dos impactos;
  • ferramenta utilizada no ataque;
  • condições das bordas do vidro.

A película deve ser entendida como uma camada adicional de proteção, e não como blindagem.

Promessas de “vidro inquebrável” ou de proteção absoluta merecem desconfiança. Até mesmo uma película resistente pode ser vencida depois de sucessivos impactos.

Escurecer o vidro não é a mesma coisa que protegê-lo

Outro erro comum é confundir película escura com película de segurança.

Uma película muito escura pode esconder parcialmente os objetos dentro do carro, mas não necessariamente aumenta a resistência do vidro. Da mesma forma, uma película antivandalismo pode ser transparente.

Além disso, a instalação precisa respeitar as regras de trânsito.

A Resolução Contran nº 960/2022, alterada pela Resolução nº 989/2022, determina que o conjunto formado pelo vidro e pela película preserve a transmitância luminosa mínima de 70% nas áreas indispensáveis à dirigibilidade, como o para-brisa e os vidros laterais dianteiros.

A película também deve apresentar a identificação exigida. Bolhas nas áreas críticas de visão e produtos refletivos podem deixar o veículo irregular. Consulte as resoluções na página oficial do Contran.

Isso significa que não basta escolher o produto mais escuro ou mais espesso oferecido pela loja. É necessário confirmar se o conjunto vidro-película continuará dentro da regra.

Instalar uma película irregular para tentar aumentar a segurança pode criar outro problema: multa, pontos na carteira e retenção do veículo para regularização.

O maior risco pode estar no celular

Em muitos ataques, o prejuízo mais grave começa depois que o criminoso foge.

Um celular desbloqueado pode permitir acesso a aplicativos bancários, cartões armazenados, contas de e-mail, redes sociais, documentos pessoais, códigos de autenticação e dados de clientes.

Por isso, a proteção não deve começar apenas no vidro do carro.

O aparelho precisa estar configurado para dificultar o acesso às informações. Use senha forte, bloqueio automático curto e autenticação adicional nos aplicativos financeiros.

Também é recomendável reduzir os limites de transferência e evitar guardar fotografias de cartões, senhas ou documentos em pastas desprotegidas.

O que fazer durante um ataque

A prioridade deve ser preservar a integridade física.

Tentar disputar o celular, sair do veículo para perseguir o criminoso ou avançar sem enxergar o entorno pode transformar um roubo em acidente ou agressão.

A Polícia Militar de São Paulo recomenda dirigir com os vidros fechados, manter as portas travadas, não deixar objetos de valor visíveis e conservar distância do veículo da frente para possibilitar uma saída em situação de emergência. Também orienta a não reagir em caso de roubo.

Se houver espaço e for possível movimentar o carro com segurança, afaste-se do local. Não faça uma manobra que coloque pedestres, motociclistas ou outros condutores em risco.

Assim que estiver em segurança:

  1. Acione a polícia pelo número 190.
  2. Registre o boletim de ocorrência.
  3. Informe horário, local e características dos envolvidos.
  4. Preserve imagens da câmera veicular, se houver.
  5. Fotografe os danos no automóvel.
  6. Comunique imediatamente a empresa responsável pela proteção do veículo.

Se o celular for levado, cada minuto importa

O Ministério da Justiça orienta que a vítima bloqueie o aparelho, o chip e os acessos bancários o mais rapidamente possível.

O alerta pode ser emitido pelo programa Celular Seguro. Dependendo da modalidade escolhida, o sistema comunica operadoras, bancos e parceiros e pode bloquear contas, linha telefônica e IMEI.

Também é importante alterar senhas, revogar acessos por biometria, apagar remotamente os dados e registrar o boletim de ocorrência.

Proteja as contas bancárias, bloqueie a linha e o aparelho, altere as senhas principais, registre a ocorrência e acompanhe movimentações financeiras. Consulte posteriormente o Registrato do Banco Central.

Esperar chegar em casa para começar os bloqueios pode dar ao criminoso tempo suficiente para ampliar o prejuízo.

O vidro quebrado está incluído na proteção do veículo?

Isso depende do contrato ou regulamento.

Algumas proteções incluem vidros, retrovisores e lanternas. Outras oferecem esses itens como benefício adicional ou estabelecem limites, participação do associado e regras específicas de utilização.

Também pode existir diferença entre dano isolado ao vidro, tentativa de roubo, objetos deixados dentro do veículo, danos ao automóvel durante o crime e acessórios não originais.

O fato de o vidro ter sido quebrado durante um roubo não significa automaticamente que o celular e os demais objetos pessoais serão indenizados.

Antes de contratar, pergunte expressamente:

  • Os vidros laterais estão incluídos?
  • Existe valor de participação?
  • Há limite de utilizações?
  • A película instalada também será reposta?
  • Objetos pessoais dentro do carro estão protegidos?
  • Quais documentos devem ser apresentados?

Essa conferência evita descobrir uma exclusão somente depois do ataque.

Segurança começa antes de o vidro quebrar

Nenhuma medida elimina completamente o risco, mas pequenas mudanças reduzem a exposição.

Evite deixar o celular exposto no painel em congestionamentos. Mantenha bolsas, mochilas e equipamentos fora do campo de visão. Feche os vidros ao se aproximar de locais com trânsito lento e preserve espaço em relação ao veículo da frente.

Se decidir instalar uma película de segurança, escolha uma empresa especializada, solicite as especificações técnicas e confirme a regularidade do produto.

A tela improvisada que ganhou repercussão pode demonstrar o medo vivido pelos motoristas, mas não substitui um conjunto de medidas preventivas.

O objetivo é reduzir a oportunidade, dificultar a ação e saber reagir sem colocar a própria vida em risco.

Confira como seu veículo está protegido

A RV Clube de Benefícios oferece proteção veicular e assistência para diferentes situações enfrentadas pelos motoristas.

Antes de contratar, a equipe pode explicar quais eventos estão incluídos, como funciona a utilização dos benefícios e quais condições são aplicáveis aos vidros e aos demais componentes do automóvel.

Se você não sabe se os vidros do seu carro estão protegidos ou deseja comparar as condições atuais, solicite uma análise.

Quero conhecer as opções de proteção para o meu veículo


Conteúdo elaborado por Jonadab Carmo de Sousa, CEO e Diretor Jurídico da RV Clube de Benefícios, advogado OAB/RJ 124.066 e especialista em seguros e proteção veicular.

Este conteúdo possui caráter informativo. As condições de proteção dependem do regulamento e dos documentos aplicáveis a cada contratação.

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